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Desmistificando o conceito de Saúde

Saúde. Esse famoso conceito que usamos o tempo todo em nosso dia a dia, sem nem refletir muito sobre o que ele significa. Mas o que de fato é saúde? Ela é só física, ou também mental e social? Como mensurar e atingir a saúde plena, se é que isso existe? Como saber se uma pessoa é, de fato, saudável?

Podemos nos basear na definição proposta pela Organização Mundial da Saúde (OMS), divulgada na carta de princípios de 7 de abril de 1948 (desde então o Dia Mundial da Saúde), que implica o reconhecimento do dever do Estado na promoção e proteção da saúde e o direito de todos os cidadãos a ela. A OMS atesta o seguinte: “Saúde é o estado do mais completo bem-estar físico, mental e social e não apenas a ausência de enfermidade”.

Percebemos um avanço importante nessa proposta: a saúde “não é apenas a ausência de enfermidade”. Ou seja, não basta que não haja doenças diagnosticadas para que uma pessoa seja considerada saudável, é preciso algo muito além disso. Vejamos, se uma pessoa tem hábitos que agridem o próprio corpo, como fumar ou comer excessivamente, será que podemos considerá-la saudável, mesmo que ainda não tenha sido diagnosticada nenhuma doença? E alguém que nasceu com determinada patologia, mas tem uma vida funcional e íntegra, será que ela será para sempre alguém sem saúde? Ou se pensarmos, então, em alguém cujo corpo está em perfeito estado, mas vive em um ambiente violento e ameaçador, será que podemos considerar a vida dela saudável?

Assim sendo, parece que a definição da OMS faz bastante sentido. Mas vamos continuar a analisá-la mais profundamente. “Estado do mais completo bem-estar físico, mental e social”. Pode parecer uma definição bem ampla, mas também um pouco idealizada. Será que é possível mesmo atingirmos esse bem-estar completo, total, perfeito e absoluto? Quem aqui se sente totalmente bem nas dimensões físicas, mentais e sociais ao mesmo tempo e ao tempo todo? Acho que são pouquíssimas as pessoas se sentem assim, se é que existe alguma. E as dores de cabeça que sentimos as vezes? E o cansaço depois de um longo dia de trabalho? E os dias mais tristes, as angústias que por vezes sentimos? E a cidade que vivemos, nem sempre tão segura assim? Enfim, se seguirmos essa definição literalmente, será quase impossível se sentir totalmente feliz nos aspectos sociais, mentais e físicos. E será, então, que quase ninguém é saudável? Me parece uma ideia um pouco duvidosa.

Portanto, saúde, segundo a OMS, parece ser um estado de perfeição, que se atinge com a satisfação plena e sem nenhuma privação. Um conceito bastante inatingível, que soa mais como um ideal a ser seguido, do que um estado no qual é possível, de fato, estar. Penso que esse conceito de saúde vai ao encontro dos ideais que vemos presentes em nossa sociedade. Estar sempre feliz, ter pensamento positivo, superar todos os desafios, não dar espaço para as angústias. Uma ideia bastante idealizada de que seria possível sentir-se bem sempre. Quando acreditamos nisso, toda e qualquer sensação desprazerosa é muito reprimida. Mas saúde e prazer são sinônimos?

Pois não é possível estar saudável, e mesmo assim, ter momentos em que seu corpo não te satisfaz por completo? Ou momentos em que você não está se sentindo feliz? Ou até mesmo ter saúde em um ambiente hostil? Será que não podemos pensar em uma ideia de saúde que contemple também as falhas, os erros, as incompletudes? Como elaborar uma definição que seja abrangente, mas ao mesmo tempo, condizente com as possibilidades reais do ser humano?

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