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Por que escolhi ser psicóloga?

Por que escolhi ser psicóloga? Essa é uma pergunta que sempre ouço por aí. De onde veio essa ideia meio maluca de estar em contato com sofrimento psíquico todos os dias?

Bom, minha proximidade com a psicologia e com a psicanálise vem desde muito cedo na minha história. Fiz análise durante um período da minha infância, e lembro-me que desde dessa época eu dizia que queria ser psicóloga e empresária. Mal eu sabia tudo o que estava em jogo nessa árdua profissão.

O tempo passou e meu interesse pela psicologia também. Cheguei ao Ensino Médio determinada a fazer o curso de Direito (eu não levava jeito para exatas e minha mãe é advogada, por isso as coisas se encaixavam.) Mas nunca nutri de fato uma paixão pelas leis e o mundo jurídico. Lembro que eu costumava questionar minha mãe nessa época: Como é possível defender alguém em uma situação em que você mesma talvez discorde das ações dessa pessoa? Eu não me conformava com isso. Pobre Marina de 15 anos, nem imaginava que na profissão que ela acabou escolhendo a empatia pelo outro é o que prevalece, a compreensão pela realidade psíquica de outro ser humano é fundamental, independentemente dos valores morais do que considero certo ou errado.

Retomando minha história, foi no auge do meu terceiro ano, com as emoções à flor da pele, que resolvi de novo buscar por um psicólogo. Iniciei um processo de análise, dessa vez, totalmente diferente da minha análise infantil (será mesmo? rs). E enquanto eu deitava no divã pela primeira vez, comecei a me imaginar nesse lugar de psicóloga. Atendendo pacientes, suscitando reflexões, acolhendo diferentes angústias, ajudando muitas pessoas. Assim como eu estava sendo ajudada ali.

E foi então que o desejo pela psicologia se ascendeu dentro de mim novamente. Nem cheguei a fazer muitas pesquisas, nem raciocinar tanto a respeito da minha escolha. De alguma forma eu sabia que esse era o caminho que eu gostaria de seguir.

Obviamente, tive de comunicar isso à minha família, amigos e a todos os curiosos que nessa fase te perguntam constantemente: “qual curso você escolheu?”. Recebi sorrisos, apoio, mas também expressões de estranhamento e comentários desagradáveis.

Mas, mesmo assim, eu fui. Inscrevi-me para os vestibulares da PUC-SP e da USP para o curso de psicologia. Me matei de estudar como nunca antes na vida, e consegui ser aprovada em ambos, optando por estudar no Instituto de Psicologia da USP.

Depois que eu entrei lá, descobri que eu não tinha ideia alguma do que era a psicologia, ou melhor, as psicologias. Caí completamente de paraquedas. E costumo brincar com quem me questiona sobre essa parte da minha trajetória: deu certo por coincidência, porque eu não tinha ideia alguma sobre o que de fato era psicologia até eu começar minha graduação. Mas será que foi coincidência mesmo? Depois de compreender mais sobre a psicanálise e as manifestações do inconsciente, hoje já não acredito mais em coincidências.

E como foi minha trajetória de descobrimento da psicologia no curso de graduação? Isso vai ter de ficar para o próximo texto 😉

Leia o meu primeiro post sobre o projeto deste site: Psicanálise no cotidiano.

 

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1 comentário

  1. Não foi só coincidência… sempre achei que realmente estava dentro de você esta paixão pela psicologia e por entender a ajudar outras pessoas.