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O autocuidado para profissionais psi

Esse texto destina-se a todos os profissionais psi que querem fazer um bom trabalho de cuidado com o outro – não se esqueçam: é preciso investir no seu autocuidado primeiro!

Quem aí já pegou um avião, e lembra de escutar a seguinte instrução de segurança: “quando a máscara de oxigênio cair, coloque-a primeiro em você e depois ajude os outros, se necessário”. Uma fala importante de ser considerada em uma situação extrema de acidente, já que se a própria pessoa não colocar a sua máscara primeiro, ela pode acabar desmaiando por falta de oxigênio antes de conseguir ajudar o outro e a si mesma. Mas essa instrução nos leva a uma reflexão mais profunda quando pensamos no nosso autocuidado: precisamos nos colocar em primeiro plano.

Quando esquecemos de nós mesmos e deixamos o outro ser prioridade em nossas vidas, acabamos nos negligenciando. E quando a gente se negligencia, sofremos as consequências disso. No âmbito psicológico isso pode significar diversos tipos de sofrimentos: angústias, depressão, desorganização mental, ansiedade, identificações intensas, simbioses… e por aí vai. E se você não está bem, como o outro pode se beneficiar de seu cuidado? Não é possível transmitir algo para outra pessoa que você mesmo não tem para oferecer. Cuide-se primeiro, e depois ajude os outros. 

Quando estamos falando sobre profissionais psi, tudo isso é elevado a enésima potência. É preciso estar bem mentalmente para poder escutar o outro e agir sobre o seu sofrimento. Isso não significa que nós também não sofremos. Somos humanos, temos dias bons e ruins, momentos de tranquilidade e alegria, e não somos obrigados a estar sempre felizes. Sofrer faz parte da existência humana, e mesmo nós psis não estamos imunes a isso. O que é primordial é que possamos olhar para nós mesmos, reconhecer nossas questões e trabalhá-las internamente.

Por isso, é fundamental que o profissional psi faça um acompanhamento psicológico. Esse é o nosso momento de trocar de lugar, deitar no divã (ou sentar na poltrona do outro lado) e nos dispor a pensar sobre quem nós somos, quais são nossas angústias, medos, complexos, barreiras… é o momento de permitir que o nosso inconsciente também seja analisado e compreendido por um outro profissional.

Dessa forma, quando estamos com o paciente, passamos a não só conhecê-lo, como também a poder nos reconhecer naquele atendimento, e com isso, separar-nos do outro.  Quando não temos uma apropriação adequada de quem nós somos, a tendência a se misturar é muito grande – e as consequências põem em risco todo o trabalho terapêutico. Ter consciência de nossas questões mais íntimas nos possibilita utilizá-las a nosso favor, e a favor de nosso paciente. 

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