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A questão do diagnóstico: fundamental ou supervalorizado?

Hoje em dia, o diagnóstico é uma prática que está muito em alta no mundo contemporâneo: todos querem saber – “o que eu tenho, doutor?”

Para a psiquiatria, os diagnósticos de transtornos mentais são parte fundamental da prática, e são obtidos de forma objetiva a partir dos sintomas apresentados pelo paciente. Para isso, temos manuais diagnósticos, que dizem claramente quais os critérios diagnósticos de cada patologia. Por exemplo: você sabia que fadiga frequente é um dos critérios para depressão?

Já a questão do diagnóstico para a psicanálise é um tanto mais complexa, pois não se pauta pelos sintomas, e sim, pelas dinâmicas psíquicas inconscientes e posições ocupadas pelo sujeito em sua vida – inclusive na relação terapêutica com o próprio analista (chamada de transferência). Para isso, existem diagnósticos como: neuroses, psicoses, perversões, borderlines, entre outros. 

Ainda assim, essas diferentes áreas de saber dialogam entre si, possibilitando uma conversa que entenda as particularidades e proximidades das diferentes formas de diagnosticar. Caso vocês se interessem, posso falar mais de diagnósticos específicos e como enxergamos eles na psicanálise. 

Agora que já sabemos a importância de fazer diagnósticos, proponho que pensemos mais profundamente sobre a posição que eles ocupam na atualidade.

O ato de diagnosticar nada mais é do que dar um nome que enquadre determinado fenômeno psíquico em uma categoria já estudada, com o objetivo de ajudar o profissional a compreender melhor o outro que está a sua frente. Porém, sempre que fazemos isso algo escapa – cada sujeito é singular, e nunca poderá ser reduzido a um diagnóstico. 

Contudo, o que vemos hoje, é uma tendência a usar o diagnóstico como explicativo de tudo o que um sujeito é, de forma taxativa, esquecendo de suas particularidades, de sua história de vida e anulando as possibilidades de transformação. Assim, o diagnóstico pode se tornar mais rótulo social, tamponando o sofrimento psíquico e promovendo fixações. 

Por isso, deixe o diagnóstico sempre a cargo de um profissional especializado e não se prenda tanto assim a ele – somos mais do que isso!

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