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Uma leitura psicológica do filme Soul

Hoje gostaria de recomendar e fazer uma breve análise do novo filme da Disney: Soul. É um filme bastante envolvente e emocionante, que pode ser compreendido em diversos níveis e perspectivas diferentes. (Alerta de spoilers!)

Pensando no aspecto psicológico, Soul é um filme que fala sobre como se dá a construção da personalidade e como lidamos com nossos interesses, sonhos e metas de vida – afinal, qual o sentido de se estar vivo?

No filme, o personagem Joe Gardner é um professor apaixonado por música – e ao mesmo tempo que essa grande paixão lhe enche de motivação, também se torna sua única razão de viver. Ao ajudar uma alma que não encontra sentido na vida humana, Joe entra em contato com sua experiência emocional. 

Pensando no conceito psicanalítico de D. Winnicott, “verdadeiro self”, pode-se compreender que Joe teve a possibilidade de se conectar de forma mais autêntica com a sensação de estar vivo, abandonando um “falso self” idealizado e superficial, e desenvolvendo um sentido de vida real.

Um trecho que me chama atenção é quando Joe consegue realizar o show tão sonhado por ele, e se dá conta de que isso não muda sua vida, não o completa, não o preenche absolutamente. Quem nunca idealizou tanto um momento, e quando de fato se concretizou, frustrou-se? 

É quando a cantora diz a ele um reflexivo provérbio: “Tem uma história de um peixe. Que procurou um ancião e disse: tô procurando o tal de oceano. O ancião respondeu: você está no oceano. E o Peixe teimou: não, isso aqui é água, eu quero o oceano”. 

E você? Já se deu conta de que está no oceano?

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