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O desamparo social e as consequências psíquicas

Diversos autores, tanto da psicanálise, como também da filosofia e sociologia, se propõem a pensar no mal-estar da contemporaneidade, ou seja, nas angústias próprias do nosso tempo atual. 

Se antes havia leis e dogmas muito bem estabelecidos por instituições como a Igreja e o Estado, hoje, observamos o enfraquecimento destas, com uma maior flexibilização das normas e a possibilidade de que o sujeito busque a realização de seus desejos de forma individual. 

Porém, o que pode parecer uma positiva liberdade, também lançou o sujeito ao desamparo social. 

Segundo Birman (2006), o vazio é a marca principal da contemporaneidade. Vivemos em um tempo em que faltam ofertas de acolhimento, segurança e simbolização. O sujeito sente-se frequentemente solitário, com dificuldade de formar vínculos significativos com o outro, sem experiência de coletividade. 

Esse contexto sociocultural deixa marcas no sujeito, que muitas vezes sofre psiquicamente em segredo, escondido em sua máscara de felicidade. Percebe-se então um grande paradoxo do tempo contemporâneo: a angústia é profunda, mas não pode emergir. 

Um ótimo exemplo é o que vemos nas redes sociais – fotos de pessoas sempre alegres, vivendo experiências incríveis, rodeadas de pessoas amorosas. Mas será que essa é a verdade do sujeito? 

E se a angústia não pode emergir, o sofrimento cresce, e se esvai a possibilidade de elaboração. 

“Na experiência da dor, o sujeito sem abertura para o outro fica entregue ao desolamento, não tendo possibilidade de realizar uma subjetivação possível para aquela experiência.(…) O sujeito definha na sua auto-suficiência, que o paralisa quase que completamente. Seriam essas a posição e a condição do sujeito na contemporaneidade.” (Birman, 2014)

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