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Mecanismo de defesa: NEGAÇÃO

O mecanismo de defesa da negação constitui-se por uma recusa do sujeito em aceitar a existência de uma realidade que lhe provoca intenso sofrimento. Ou seja, é quando tomamos por inexistente um pensamento ou sentimento que, caso assumíssemos como verdade, nos causaria angústia. 

A defesa por negação é altamente utilizada quando vivemos a perda de algo ou alguém. Para garantir nossa sobrevivência emocional negamos nosso sofrimento. É possível que você já tenha vivido ou presenciado alguém que, após a morte de um ente querido, parece anestesiado a tudo – e só se permite viver essa dor tempos depois. 

Porém, por mais que exista uma função de proteção ao sujeito, é preciso ter cuidado para que isso não nos afaste de uma experiência emocional mais verdadeira – em um dado momento é preciso lidar com a realidade tal como ela se apresenta. 

Um problema pode ser a negação de consequências quando queremos justificar a nossa busca de prazer. É nessas horas que negamos os riscos para viver os benefícios – por exemplo, alguém pode negar seu conhecimento sobre os efeitos de certas drogas no organismo para viver a experiência prazerosa de experimentá-las. 

Atualmente, o tema da negação tem estado muito em voga. Chamamos de “negacionistas” parte da população que supomos utilizar esse mecanismo de defesa para não entrar em contato com a assustadora realidade da pandemia. E faz sentido, pois acreditar que essa constante ameaça de morte na verdade é uma grande farsa parece uma realidade muito mais agradável de se viver – quem não desejaria isso? Mas é aí que a negação pode nos prejudicar: abaixa-se a guarda, e com isso, expõe-se a si mesmo e aos outros a um risco muito maior. 

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“Aí a gente já tem o nascimento de certos negacionismos e de uma atitude tola, que é aquela que vai ignorar, que vai dizer assim ‘eu tenho, no fundo, tanto medo, tenho tanta inépcia pra enfrentar o medo ou eu não consigo reconhecer o medo, que eu passo por cima dele, eu finjo que não há nenhum objeto de perigo, eu nego a realidade‘.” (Dunker, 2020)

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