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Mecanismo de defesa: IDENTIFICAÇÃO PROJETIVA

O conceito de identificação projetiva é bastante interessante e complexo na história da
psicanálise.

Em linhas gerais, a identificação projetiva pode ser definida como uma fantasia do sujeito de que partes do seu psiquismo podem ser dissociadas e colocadas no outro.

Posteriormente, o sujeito pode se identificar com essas partes projetadas.

Pode parecer um conceito difícil, mas vamos tentar explicá-lo.

Por exemplo, quando nós estamos lidando com sentimentos ruins, com partes difíceis de nós mesmos,
uma das saídas possíveis pode ser projetar essas partes em outras pessoas à nossa volta, como uma forma de nos desapegar daquilo que nos causa sofrimento.

Para Melanie Klein, a autora que criou esse conceito, a identificação projetiva é um mecanismo de defesa maciço utilizado para lidar com fortes angústias, no qual o sujeito se coloca dentro do outro, perdendo as fronteiras de quem é quem.

Ela enfatiza o aspecto patológico da identificação projetiva, no sentido da fantasia onipotente de que seria possível se livrar da agressividade, como se fosse possível controlar sua própria realidade psíquica e a do outro.

Porém, autores mais contemporâneos, revisitaram esse conceito e trouxeram novas interpretações.

O principal deles é Wilfred Bion, que compreendeu que pode existir um nível normal de identificação projetiva que permite a comunicação não verbal entre duas pessoas.

Por exemplo, na situação de análise, o paciente projeta partes de si do analista, partes que talvez ele não consiga dizer verbalmente, mas que se puderem ser contidas e transformadas na mente do analista, podem ser devolvidas de forma que o paciente possa reintrojetá-las.

A identificação projetiva é, portanto, elo de ligação, de comunicação de estados mentais indizíveis.

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